Obras prejudicam património histórico de Coimbra

O valor patrimonial da zona histórica da Alta de Coimbra está em risco. A Câmara Municipal de Coimbra encontra-se a remover a calçada medieval do Largo da Sé Velha, constituída por seixos de quartzito e abrangida pela área classificada como Património Mundial da UNESCO. O pavimento será substituído por placas de granito, uma rocha exótica à cidade, tanto em termos históricos, como litológicos.

As obras de requalificação promovidas pela autarquia abrangem também o famoso Quebra-Costas, onde os tradicionais degraus em calcário estão a ser substituídos por degraus em granito.

«A substituição dos materiais nas escadas do Quebra-Costas e a destruição da calçada de traça medieval do Largo da Sé Velha é uma forma de delapidar património e de desfigurar as nossas tradições», contesta Pedro Proença Cunha, Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, em declarações ao Diário de Coimbra. “Esta área tem um estatuto de proteção que visa impedir que ocorram perdas de valor patrimonial devidas a eventuais obras que não de restauro ou reparação», acrescenta.

Uma das justificações apontadas para a alteração dos materiais é a segurança dos transeuntes. Luís Lopes, presidente da Associação Portuguesa de Geólogos reconhece que, antes de mais, a segurança das pessoas que circulam nas áreas intervencionadas deve ser assegurada. Ainda assim, defende que a opção deveria passar sempre pela utilização dos materiais originais. «A adoção de medidas técnicas adequadas, por exemplo, implementando um corredor de circulação na calçada onde se eliminasse por abrasão o polimento das rochas poderia ser uma solução».

Além disso, e infelizmente, este caso é apenas mais um exemplo da necessidade de um geólogo a tempo inteiro nos quadros das autarquias. «Frequentemente somos confrontados com situações de opções erradas de intervenção no espaço físico público onde o parecer técnico de um geólogo teria sido determinante na procura de uma solução mais adequada e muitas das vezes menos onerosa», alerta Luís Lopes.

Foi também criada uma petição pública em defesa da preservação do património histórico e cultural da Alta de Coimbra, que conta já com mais de 1 600 assinaturas. Os autores da petição lembram que os materiais geológicos usados no centro histórico de Coimbra foram sempre materiais provenientes da região, como os calcários e dolomias, ou os seixos quartzíticos do rio Mondego.

As obras de valorização do Largo da Sé Velha, da Rua e Largo do Quebra Costas e das Escadas e Beco da Carqueja, na Alta de Coimbra, representam um investimento de 1,6 milhões de euros. O objetivo, segundo os promotores, é melhorar a mobilidade e a segurança pedonal, criar mais esplanadas e organizar a circulação e estacionamento automóvel.

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