Ricardo Quadrado: Um Testemunho Pessoal

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Colegas amigos (Luís Celestino da Silva e José Romão) informam-me da morte de Ricardo Quadrado e cumprindo os seus últimos desejos, de discrição em torno da cerimónia de cremação, estritamente privada.

Para mim, Ricardo Quadrado foi um exemplo como Professor no sentido mais amplo da palavra, como tive ocasião de recordar recentemente (15/6/2016).

Formado em Matemáticas e depois em Engenharia Geográfica veio por via deste último curso a contactar com o Departamento de Geologia. A admiração que nutria pelo Prof. Carlos Tomé de Assunção levou-o nos fins dos anos 50 a aceitar o convite para ser Assistente nas cadeiras de Cristalografia e Mineralogia, da licenciatura em Geologia. Doutorou-se em Madrid no fim dos anos 60 com o Prof. Amorós e regressou a Lisboa, onde se jubilou como Prof. Catedrático.

Conheci-o no fim da década de 50 (1958/1959) como Assistente do Curso Geral de Mineralogia regido pelo Prof. António Rodrigues Botto, enquanto aluno de Geografia, e no ano seguinte (1959-1960) já como aluno de Geologia, nas cadeiras de Cristalografia e de Mineralogia, regidas pelo Prof. Carlos Tomé de Assunção.

Era um modelo como Professor; exigente consigo próprio mas também com os seus colegas mais que connosco, seus alunos; proporcionava-nos um ensino teórico e prático extremamente sólido, apoiado nos conceitos de simetria e de grupos de simetria, comum à Matemática pura e à Cristalografia. Mas também um modelo de comportamento cívico, empenhado politicamente muito antes do 25 de abril e profundamente influenciado pela “Democracia das Ideias”, tornado possível por este evento libertador para todos os Portugueses.

Nos anos de 1961 e 64 trabalhei com ele no campo em Trás-os-Montes, concretamente em Macedo de Cavaleiros onde residia com a sua família. Tornámo-nos amigos e confidentes, e aprendi política com ele na Associação de Estudantes, mais que com a minha própria família.

Igual a si próprio na coerência e tolerância faz-me imensa falta como amigo e como colega. Adeus Ricardo! E sentidos pêsames para a Helga e familiares.

Por António Ribeiro

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